De repente, sumiram.
Onde estão? Será que mataram-nas? Ou morreram por alimentarem-se de plantas, ou beberem água, contaminadas do rio.
Eu gostava de ve-las, assim como gosto de ver as garças, compondo a paisagem.
Hoje, restam as garças, que conseguem sobreviver alimentando-se do que conseguem no rio, provavelmente, com alto teor de contaminação. Ou não. Senão, morreriam. Será que já adquiriram imunidade?
Por um tempo, pareceu que o rio estava transformando-se em um rio amigável, do qual o homem poderia se aproximar, até adentrá-lo e usufruir de suas águas.
Na verdade é o contrário, parecia que o homem estava tornando-se, realmente, racional, permitindo que o rio tomasse o seu rumo natural, chegando a abraçar os animais, como as garças e as capivaras e, quem sabe, outros animais que aí aparecessem.
Os seres humanos tem a péssima mania de achar que os animais não raciocinam, apenas eles.
Quanta besteira.
Os animais não falam a língua dos homens, ou os homens não falam a língua dos animais, mas pensam e muito.
É só observar.
Um dos meus cachorros, saiu de casa, mais uma vez, no dia 22 p.p.; das outras vezes, saíamos correndo atrás dele e o trazíamos. Na penúltima vez, nem se percebeu quando ele saíu. Senti sua falta, quando cheguei do trabalho.
Demos uma busca geral pelas imediações e, nada. Muita gente foi informada e recebíamos notícias de que havia um em tal lugar, um, com as mesmas características, outro, havia sido atropelado, e por aí afora.
Um dia, voltando da igreja, senti que batiam na minha cintura, olhei, achando ser uma criança, que às vezes fazem isso, pensando que estão segurando a mãe. Mas, quem era? O Scooby, que veio, não sei de onde e pulava na minha cintura.
Dessa vez, ele saíu enquanto o portão automático da garagem era acionado e, por mais que tentassem, ele sumiu de vista. Quando cheguei e fui informada, saí e dei uma busca, também, sem sucesso.
À noite, o Sheldon e o Floppy, começaram a latir e a arranhar a porta. Eu desconfiei, fui até o portão e, lá estava o Scooby, querendo entrar e, quando eu o abri e, passou, feito um raio, indo para o fundo da casa, para não levar bronca. No dia seguinte, ainda não brincava comigo, só hoje, atreveu-se a pular em mim, logo cedo.
As pessoas, de imediato, já teriam uma desculpa, na ponta da língua, nem levavam em consideração o erro cometido, a não ser as crianças.
Os animais são sinceros, como as crianças, enquanto estas não são contaminadas pelos comportamentos dos adultos.
Enfim, estou feliz porque o meu cachorro voltou, não porque me faz companhia, mas, porque gosto dele e ele gosta de mim, assim como o Sheldon e o Floppy.
Agora, voltando, sinto falta das capivaras às margens do rio Pinheiros.
Será que voltarão?
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