domingo, 12 de setembro de 2010

Peregrinação, vale a pena!

Faz tempo que estou para escrever, principalmente porque a minha amiga Guiomar sempre cobra.
Há muito acalentava o sonho de visitar a Terra Santa, não no sentido turístico, mas, para estar nos lugares por onde Jesus, Nossa Senhora e São José passaram e/ou estiveram. Parecia que esse dia não chegava, quando, de repente, no dia 06 de junho, desse ano, embarquei em uma peregrinação, que me levaria, junto com os demais peregrinos, para a TERRA SANTA. Antes, passamos por Roma, onde visitamos várias igrejas e, também, alguns pontos turísticos. Seguimos viagem, parando em Telaviv, onde tive a oportunidade de colocar os pés nas águas do mar Mediterraneo. O lugar é muito bonito, pouca vegetação, muita areia, mas o horizonte se apresenta majestoso. Dirigi-mo-nos a Jerusalém, onde ficamos e, de lá saíamos, a cada manhã para cidades diferentes. Apesar da frieza reinante do ambiente israelense, quando entrávamos nas grutas, subíamos e descíamos morros, cuja vegetação predominante é a oliveira, parecia que alguma coisa mexia com o meu coração. Monte das Oliveiras dá uma vontade imensa de chorar pela lembrança da solidão e sofrimento em que Jesus passou alí e, que até hoje, muitos insistem em ignorar. Monte Tabor, já traz aquela sensação mística, de que algo bom pode acontecer, uma certa esperança. Visitar a via dolorosa, o calvário e o túmulo de Jesus, isso, realmente foi muito forte. Uma grande revolta pelo que aconteceu e, principalmente, pela descaracterização que parece ter havido, pois fica tudo muito cercado e com excesso de lustres e pouco espaço para contemplação. E só não é pior, pela interferência dos Franciscanos, caso contrário, tenho a impressão de que o espaço seria ocupado pelos mulçumanos ou pelos judeus. O trajeto que Maria fez até a casa de Izabel, o caminho percorrido por Jesus, Maria e José e os demais peregrinos, naquela época deve ter sido um sacrifício enorme, pois, huje, com os caminhos já melhorados, a caminhada não é fácil, mas é compensadora; pena que muitas delas foram feitas de ônibus. Banhamo-nos no Mar Morto, com lama e tudo; às margens do Rio Jordão foi renovado o batismo de cada peregrino. Em Israel há flores, principalmente primaveras, que se dão bem em clima quente e, como a água lá é escassa, eles criam alternativas de irrigação muito interessantes. Percebe-se uma grande intolerância dos comerciantes e dos guias de turismo, com relação aos vendedores ambulantes. As pessoas não se olham ao se cruzarem nas ruas. A segregação é evidente. Mas as recordações permanecem. Ainda voltarei lá.
Voltamos à Roma e de lá, fomos à Cassia, Assis e visitamos as igrejas , os locais por onde andaram São Francisco e Santa Clara. Depois seguimos a Ancona, para embarcar, em um navio, com destino a Split e, de ônibus, até Medjugorje.
Eu já sabia alguma coisa sobre as aparições de Nossa Senhora naquela cidade e, sobre os videntes. Só que a surpresa foi muito grande. Por mais que alguns digam que pode ser uma farsa, criada para enriquecer as famílias dos videntes, é difícil sair de lá da mesma forma como se chegou. Há uma paz e tranquilidade reinante, dorme-se e acorda-se com o som do sino a tocar. Durante todo o dia há celebrações e ao cair da noite, as 18 horas é celebrada a missa, com a participação de dois ou três dos videntes, há a oração de cura e, finalmente, adora-se o santíssimo, de uma forma muito especial, em vários idiomas. É difícil descreer o clima; dá vontade de ficar alí, a noite toda, em adoração.
A cidade é muito agradável, não há expressão de raiva nos rostos das pessoas, não obrigam niguém a comprar nada, se você esquece o troco, saem correndo atrás para devolver.
O incrível, no entanto, são os dois morros o Monte Krizevac (da Cruz) e o Podbrdo (das Aparições). com mais de 500 e 300 metros de altura, respectivamente. Ultimamente, aqui no Brasil, tinha deixado de participar de caminhadas que tivesse uma leve subida, pois ficaria cansada e com dores nas pernas, no dia seguinte. Em Medjugorje, sobem-se os montes, formados por pedras irregulares e, pelo menos nos dias em que lá estive, não soube que alguém tivesse caído ou se machucado. Depois de descer o Podbrdo, pensei, hoje, ainda conseguirei andar por aí, mas, amanhã, com certeza, não conseguirei me levantar de dores nas pernas. Levante-me, saímos subimos o Krizevac, o mais alto, desci e, até hoje, as dores não vieram. Isso não é um milagre? Em Medjugorje, tudo chama à oração. Há imagens de Nossa Senhora no jardim da Igreja Paroquial de Medjugorje (em homenagem a São Thiago), dentro da igreja, é claro, no Monte das Aparições há várias, além das maiores ao lado da Cruz azul e a que fica no ponto mais alto do monte. Na subida do monte das aparições, medita-se o rosário e ao subir o monte da Cruz medita-se a via sacra.
Há, no jardim atrás da igreja, o Cristo ressucitado e, de sua perna direita sai um líquido, de dois pontos; dizem ser lágrima e que muitos já se curaram com ela. As lágrimas brota constantemente e as pessoas embem lenços com elas. Há ainda umas grutas construídas, para a meditação do rosário. Mas o que é bom acaba e, voltamos. Passamos por Loreto, onde há a Capela de Nossa Senhora, que segundo informam, uma das paredes foi trazida pelos anjos. A capela fica dentro da Igreja maior. Finalmente, chegamos a San Giovanni Rotondo, onde fica a Igreja e o Hospital construído por São Padre Pio. Eu, particularmente, não conhecia Padre Pio, ouvi falar na peregrinação. A história dele é muito bonita , ele recebeu e viveu com os estigmas de Cristo, por 50 anos. Passamos pelo Santuário de São Miguel e muitos outros locais religiosos, que aos poucos irei colocando aqui. No dia 29 de junho, voltamos a Roma, para a conexão com Portugal e, daí, para o Brasil. Eu e mais seis pessoas resolvemos prolongar por mais três dias e ficarmos em Portugal, visitando Fátima. Outra surpresa. Um lugar silencioso e, todas as noites há a procissão das velas, saindo da capela antiga, passando pelo santuário novo e o antigo. É muito bonito. Há o local onde os pastorinhos trabalhavam, oas locais para meditar a via sacra, as casas onde viveram Francisco Lúcia e Jacinta. Outro lugar de muita paz.
Foi a melhor viagem que fiz, na minha vida.
Deus permita que eu a repita.