Contradições em um país maravilhoso, que deixa muito a desejar
Pirâmides maravilhosas, deserto, esfinge, templos, mesquitas. Show de luzes (não me agradou muito).
Quando entrei na cidade do Cairo, parecia visualizar uma cidade fantasma, tal a quantidade de prédios, de apartamentos, sem janelas, sem acabamento, muitos, muitos. A primeira explicação foi de que famílias entravam nos prédios e iam ocupando os apartamentos e trazendo os demais familiares. O acabamento será feito aos poucos.
Percebi, ainda, que muitos tinham faixas com os dizeres FOR RENT.
Tentando encontrar uma igreja católica para assistir a uma Missa e, conhecer um pouco a cidade, perguntei ao taxista sobre os prédios inacabados; ele confirmou que todos eram para locação e que os mesmos não eram acabados, porque a taxação seria muito maior.
Aliás, as pessoas com quem se pode conversar mais abertamente, são os taxistas, que procuram agradar o passageiro, para garantir nova chamada ou, até, para conseguir um dinheiro a mais, pela corrida e, é claro, com os funcionários dos hotéis e iates.
Confesso que, tirando a parte histórica, decepcionei-me muito.
A cidade do Cairo é muito suja. Coberta de poeira, o que não podia deixar de ser, já que o deserto predomina e a areia é abundante. Mas, parece que não há coleta de lixo por lá, não presenciei passagem de caminhão de lixo e, nem de garis limpando as ruas. Talvez, sejam limpas de madrugada, já que existe um lixão no centro da cidade, ou, a movimentação da areia cobre a sujeira. Acho que recebe o lixo da área nobre, sim, existe o lado nobre da cidade, se bem que este pode ser comparado com a área da classe BC de hoje, como por exemplo: Cidade Dutra, Santana, e, outros bairros, antes, periferia em SP. Há, é claro, algumas mansões, todas da mesma cor. Ali devem morar os políticos, mas, acho que nem os guias sabem. Nos países por onde andei, os guias de turismo fazem questão de mostrar as casas do presidente, ministros, e demais autoridades. No Egito é diferente, ninguém mostra. A higiene é precária e, parece que ninguém se importa muito com isso. Pães (uma espécie de pão sírio estufado e mais corado) são depositados na calçada, sobre um tablado, sobre jornais ou, simplesmente, sobre a calçada e, quase sempre, sem nada que os cubra. Quem vende, pega-o com a mão e passa para o comprador que, naturalmente o pega, joga dentro de uma sacola ou come ali mesmo. Alguns vendedores embrulham o pão ou os pães em jornal e dá para o comprador.
Não cheguei a ver torneiras ou bebedouros pela cidade. Acho que, também, não há sanitários públicos. Digo isso porque, os homens, via de regra, usam os muros para fazerem "xixi", a qualquer hora e na frente de qualquer um. Não lavam as mãos e seguem em frente normalmente.
Higiene, só nos hotéis e nos barcos de categoria internacional (eu acho).
Lá, vive-se em constante luta entre observar as belezas naturais históricas e livrar-se de vendedores (de informações ), que grudam nas pessoas, como se carrapatos fossem. Dá penas dos vendedores (de produtos), principalmente as crianças, entretanto, se a pessoa para, para comprar alguma coisa de um, de repente, vê-se cercada por muito deles. Alguns, são até agressivos, quando o turista diz que não tem dinheiro e fala, na cara dura, para abrir a bolsa e deixá-lo ver quantas libras ele tem. Isso não ocorre apenas no Cairo.
Não respeitam os animais, de onde tiram muito dinheiro, tais como os cavalos nas charretes e os camelos, muitos trabalham doentes (os animais) e são espancados sem nenhuma pena, a não ser que sejam proibidos disso pelo turista. Assim, quem for passear de charrete (eles chamam de faluca) ou de camelo, não permita que batam nos animais (eles sempre dão a desculpa de que não dói, que o chicote está batendo na faixa, mas, não é verdade.
Ninguém reclama do governo, acho que ainda o consideram como os faraós de outras épocas. Aliás, ninguém reclama, de nada! Parece que lá é o paraíso (não consigo imaginar como).
Nas ruas, são vistos poucos cachorros, mas, muitos gatos revirando lixos. Disse um taxista que o cachorro ainda é comparado ao chacal, um dos antigos deuses da história egípcia.
Presenciei poucos indigentes e nenhum assalto, nem fiquei sabendo da ocorrência deles, aliás a informação que sempre passavam é que não havia perigo em se andar à noite, pelas ruas do Cairo, embora pessoas que trabalhavam com veículos de transportes coletivos, desmentiam isso. Outra coisa estranha é que quando era perguntado como fazer para utilizar um ônibus circular, diziam que naquela região não havia, o mais próximo ficava muito longe e, acabei descobrindo a existência deles, nas proximidades.
No Cairo, em uma van (como essas que circulam no Brasil) se o valor é uma libra por passageiro local, para o turista é cobrado dez. Em Luxor e Aswan, o valor é o mesmo para o turista (1 libra egípcia).
Precisa-se estar permanentemente atento, para não ser enrolado. Sem que seja solicitado, um indivíduo qualquer começa a andar do seu lado, dizendo o que tem naquela rua, mesmo que você de a entender, não querer os serviços dele. Ele insiste, dizendo que não quer dinheiro, que está sendo gentil, que gosta do Brasil, de Ronaldinho de Cacá, às vezes, Neimar e, até Maradona, que alguns acham que é do Brasil. É, praticamente, impossível, livrar-se de um deles, assim é necessário criar algumas situações que os desconcerte, como por, exemplo, fingir que vai desmaiar ou pedir a ele que o leve a comer em um lugar onde nada é cobrado ou começar a falar palavras que ele não entenda, em tom alto.
Comprar é uma arte, que se não for colocada em prática, não importa o quanto você levar em dólares, poderá voltar sem o suficiente para pagar o táxi do Aeroporto, no Brasil, até a sua casa, a não ser que esteja com mais pessoas e alguma resolva salvá-lo da situação.
Em qualquer lugar que entre, principalmente no conhecido mercadão Khan el Khalili, Você olha uma mercadoria e o vendedor diz: LE 150, pode ter a certeza de que chegará a LE 40, se vc demonstrar não querer.
Dizem, também, que não há perigo circular nesse local, mas, se é disponibilizado um segurança policial para acompanhar o grupo, é sinal que o perigo é iminente.
As mulheres da cidade andam de burka (cobre o rosto todo) ou um lenço (cobre apenas os cabelos), e, poucas são vistas em público. Alguns homens usam túnicas, outros, roupas comuns, acho que, de acordo com a situação financeira.
La, comem muito doce e pão e comida muito gordurosa. Não gostei da comida egípcia, preferi a africana (parecida com a nordestina brasileira).
Lá, não se vende bebida alcoólica, aliás, nem alcool se encontra no mercado. É proibido o consumo de bebida alcoólica, em compensação, o que predomina nos bares é o narghille, onde as pessoas aspiram o vapor de uma mistura de tabaco, essência e água, em um ritual, às vezes individual, às vezes coletivo, desde manhãzinha ate altas horas, utilizando-se de uma parafernália, mais parecida com um objeto decorativo, como um castiçal, por exemplo. Afirmam com todas as letras que não é droga e que não vicia, mas, tenho as minhas dúvidas. Aliás, o que se fuma de cigarro, no Egito, não é pouco.
No Cairo tem metrô (ou trem, não sei), mas afirmaram que não tinha, mas, não sei se o que queriam dizer é que o mesmo estava interditado, ou coisa assim.
A única manifestação que presenciei, aliás, não sei se posso dizer se era uma manifestação, pois eram apenas seis adolescentes, que gritavam "Chega de bomba". Não vi, nem ouvi bombas, aliás o que sempre diziam quando eu perguntava sobre as bombas é que a mídia internacional exagerava, que estava tudo tranquilo, mas, percebia-se um clima tenso. Encontramos vários canhões pelos trajetos, principalmente, no Cairo. Havia muitos jovens uniformizados e armados. Tinham uma expressão vazia.
Núbia é um lugar do lado rural do rio Nilo, em um morro.
Núbios são um povo de pele escura, que vive meio segregado, de forma diferenciada, onde há muitas lojas, com trabalhos muito bonitos. A casa principal (um casarão), remanescente de outras épocas tem alguns objetos expostos, para venda, uma das mulheres faz tatuagens com henna. Há também, em cativeiro, crocodilos para serem tocados pelos visitantes. Os mesmos ficam em espaços reduzidos e, devem sofrer um stress constante, principalmente o pequeno, que é tirado ao aquário, à chegada de cada grupo de visitantes, para fotos.
Os egípcios não tem qualquer envolvimento com os animais, que são apenas objeto para gerar dinheiro e, certamente só descansam quando morrem.
Há os ribeirinhos, às margens do Rio Nilo, que trabalham com gado e pesca, infelizmente, não tivemos oportunidade de chegar perto.
Quando o barco ancora nos portos, uma infinidade de pessoas se aproximam para vender uma variedade enorme de produtos, entretanto, menos agressivos do que os do Cairo, se bem que escalam os barcos, para vender os seus produtos, com uma agilidade impressionante. Aliás isso ocorre em todas as cidades onde o navio para. A perseguição, aí, é mais para os passeios de charretes. Em Luxor existem, também, os "carrapatos", que grudam e dos quais é muito difícil de se livrar.
Tranquilidade, mesmo, só no hotel ou no barco, mas, como, ninguém sai do Brasil, para ir ao Egito e ficar dentro do hotel ou do barco, ainda mais que nem piscina dava para utilizar, já que o tempo era curto para ser gasto em uma piscina.
Uma coisa interessante é que, na cidade do Cairo e Giza (na verdade, para mim parecem bairros) não há umidade no ar, então, mesmo com temperatura alta não se transpira. Nas outras cidades, sim.
Gostei, mesmo, foi de Alexandria, principalmente, pela biblioteca. A cidade é banhada pelo Mar Mediterrâneo, onde almoçamos um peixe muito bom. Salada, fora do hotel ou do barco é composta por tomate, pepino e cenoura ralada. No hotel e no barco, servem-se alface, beterraba, batata, feijão branco, lentilha, enfim, um cardápio mais ocidental.
No Egito compra-se essências de várias plantas, para perfumes ou unguentos. Não me perguntem se são mais baratos, a essas alturas, não sei dizer. Tâmaras eu sei que sai mais barato do que no Brasil e são de melhor qualidade. Muito boas. O leite de lá é muito gostoso.
Um dolar, lá, vale sete Libras Egípcias (LE). Um real equivale a três LEs, mas não é aceito. Lá só aceitam dólar e euro, além das libras, que é a moeda corrente.
Ah! A Polícia Federal (e/ou Receita Federal?) do Cairo é corrupta e propineira. Talvez, por culpa dos próprios passageiros, que preferem dar dinheiro do que deixar que abram as malas. Eu nada paguei aos fiscais e disponibilizei a mala para que abrissem, mas, não abriram.
A religião muçulmana prevalece e, fica difícil, praticamente impossível, assistir a uma Missa. Cinco vezes ao dia é avisado aos muçulmanos, a hora da oração. Então, eles param tudo e vão orar, nesse momento (uns vinte minutos, aproximadamente, as lojas ficam vazias, mas, se você entra, vê que está vazia e sai, aí, percebe-se que há sempre alguém, para fazer você esperar que os proprietários retornem. Nunca perderiam uma venda.
As pirâmides, esfinges e demais monumentos são, realmente, maravilhas à parte. Metade dos homens, no Egito, chamam-se Mohamed, 25% Ibrahim e os demais nomes ficam com os 25% restantes.
As mulheres vão às lojas, para comprar roupas e ou sapatos, com os maridos, que escolhem ou concordam com o que elas escolhem.
Frutas ocidentais são caras, mas, são boas.
Os doces de lá são, realmente, muito doces, mas há confeitarias com doces ocidentais.
Não confie muito no que diz o guia. Parece que a intenção dele é, sempre, converter o turista à religião dele.
Comidas, são boas em muito poucos lugares. Na maioria dos "restaurantes" são muito gordurosas. Você come o mesmo prato em dois restaurantes diferentes e eles parecem outro prato.
O "falafel" o lanche mais solicitado na cidade do Cairo, é diferente em cada bar ou restaurante.
Uma coisa , realmente boa, é quer os moradores do Cairo não pagam ingresso para visitar os monumentos e exposições, pelo menos, não pagavam.