Publicado, hoje, no Estadao, recebido via feed.
DAIENE CARDOSO - Agência Estado
O grupo de sem-terra que invadiu, na manhã desta
quarta-feira, o prédio do Instituto Lula, na zona sul de São Paulo,
disse temer que a reintegração de posse do assentamento onde vivem, na
região de Americana, no interior paulista, se torne "um novo
Pinheirinho". "As pessoas vão ficar lá e resistir até a morte", afirmou o
advogado do grupo, Vandré Paladine Ferreira.
Nesta manhã, por volta das 6h30, um grupo de cerca de 100 moradores
do assentamento Milton Santos, entre Americana e Cosmópolis, invadiu o
instituto e rendeu o caseiro Valdeni Almeida Timóteo, anunciando a
ocupação. Os funcionários do Instituto Lula foram impedidos de entrar no
prédio e, por volta das 10h45, ainda aguardavam do lado de fora do
imóvel. "O engraçado era que, há 50 anos, éramos nós que fazíamos essa
ocupação. A gente entende", disse um funcionário que não quis se
identificar. No mesmo horário, havia no local apenas um carro da Polícia
Militar (PM) e um da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não veio para o escritório, mas
já foi comunicado da invasão.
O prédio está cercado por invasores e faixas pedindo para que Lula
negocie com a presidente Dilma Rousseff um decreto de desapropriação da
área onde os sem-terra vivem há sete anos. De acordo com o advogado do
grupo, o terreno está em disputa judicial entre o Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) e a família proprietária da área, mas uma decisão
da Justiça, em junho de 2012, ordenou a desocupação do local a partir do
fim deste mês. "O governo tem desapropriado (áreas) para a Copa, para a
Olimpíada e está fazendo jogo duro para desapropriar um terreno de 104
hectares", reclamou o advogado. Vandré Ferreira ressaltou que o grupo
pretende permanecer no prédio do Instituto Lula até que o governo assine
o decreto de desapropriação da área onde se localiza o assentamento por
interesse social.
A decisão de invadir o Instituto Lula se deveu, segundo os sem-terra,
ao poder de influência do ex-presidente junto à sua sucessora. "A gente
sabe da influência que ele tem neste governo. Se ele viesse aqui falar
com a gente, seria muito bom", disse o advogado. De acordo com Vandré
Ferreira, além da invasão, três sem-terra estão acorrentados, em greve
de fome, na porta do escritório da Presidência da República, na Avenida
Paulista, também reivindicando a desapropriação do terreno.
Isso mostra que, o que fazemos, retorna. Lula foi o grão mestre e, estou curiosa com o desfecho dessa história.
O próprio governo federal tem incentivado a invasão de imóveis particulares, que estejam desocupados, o que considero autoriarismo. Os hotéis Lord, no bairro Santa Cecília e o Othon Palace, na Praça Patriarca, foram invadidos e, certamente, em breve estarão em situação deplorável de conservação. Todos os dias, segundo os próprios invasores do Lord, um grupo de quinze pessoas tomam banho de "banheira" (quem fornece os sais?), havendo revesamento, entre eles, já que existem apenas quinze banheiras.
Foi invadido, também, um prédio, baixo, de construção antiga, na Rua Quintino Bocaiuba (proximidades da Praça da Sé) e, pasmem, os moradores, homens e mulheres saradíssimos, sentam na sacada do prédio e ficam observando os trabalhadores passarem na rua, em pleno horário de expediente comercial. Por que não trabalham, como nós outros, pobres mortais?
É justo que paguemos pelo ócio dos protegidos do governo petista?
Quem não tem acesso à internet pode dirigir-se ao PAT - Posto de atendimento ao trabalhador.